Há algumas semanas, chamei a atenção sobre a 5º colocação da seleção brasileira juvenil masculina no Campeonato Mundial da categoria que aconteceu no Rio de Janeiro. Na semana passada, na Argentina, a seleção brasileira infanto-juvenil também teve uma colocação ainda mais decepcionante.
Foi desclassificada ainda na primeira fase da competição e terminou em nono lugar. As edições do Campeonato Mundial nas categorias de base costumam mostrar o que pode ser o cenário mundial nos próximos anos. Se olharmos para um futuro não tão distante, a situação é preocupante.
Especialmente se fizermos um raio x no grupo atual. Em 2016, o levantador Bruninho e o central Lucão estarão com 30 anos. Leandro Vissoto, Wallace e Théo, com 33 anos. Sidão, com 34. Murilo estará com 36 anos, assim como Rodrigão e Dante.
O líbero Serginho estará com 39 anos. Giba, que já anunciou aposentadoria da seleção em 2012, terá 40 anos e Gustavo, 41. A preocupante pergunta que fica para o premiado vôlei brasileiro é: com que seleção o vôlei canarinho vai disputar os Jogos Olímpicos aqui no Brasil?
Bernardinho já começa a sentir essa dificuldade. Tanto que chamou o jovem Lucarelli da seleção juvenil para treinar com a adulta, mas já afirmou que Lucarelli ficará apenas com a seleção de novos.
A seleção feminina vive situação quase que semelhante. Em 2016, Natália com 27 anos, Tandara, com 28 e Thaísa com 29 são as que têm mais condições de disputar os Jogos. Dani Lins e Fabiana terão 31 anos. Sheilla, 33 e Paula Pequeno, 34. No Mundial infanto, as brasileiras terminaram em 6º e no juvenil, em segundo.
Números que mostram que os técnicos das seleções do Brasil terão que quebrar a cabeça nos próximos anos para montar elencos capazes de conquistar a medalha dourada nos Jogos do Rio, porque, pela idade, poucos e poucas do grupo atual estarão em condições físicas e psicológicas adequadas.
Mas o que estaria enfraquecendo as seleções na base? A falta de investimentos de clubes e prefeituras no esporte de formação das categorias de base. O esporte nas escolas não é incentivado. O professor de Educação Física é deixado em segundo plano.
A maioria das prefeituras já percebeu que é mais barato contratar atletas para disputar os Jogos Regionais e Abertos do que manter as escolinhas de iniciação esportiva.
Sem legado de clubes e prefeituras, o resultado é um efeito dominó que já está prejudicando e vai prejudicar ainda mais o esporte brasileiro de alto nível nos próximos anos. Até o vôlei, que sempre venceu em todas as categorias, já sente os efeitos danosos da falta de investimentos no talento do jovem brasileiro.
Enfim, se semanas atrás, a luz amarela estava acesa agora é a luz vermelha que começa a ganhar contornos cada vez mais evidentes de que muitas coisas precisam mudar para que o vôlei brasileiro continue conquistando medalhas nos próximos anos.